Mãos ao ar

Blogue de discussão desportiva. Qualquer semelhança entre este blogue e uma fonte de informação credível é pura coincidência e não foi minimamente prevista pelos seus autores. Desde já nos penitenciamos se, acidentalmente, relatarmos uma informação com um fundo de verdade. Não era, nem é, nossa intenção.

sexta-feira, março 26, 2010

Era mesmo necessário criar esta notícia hoje?



Os gestores de meia tigela costumam citar Sun Tzu e "A Arte da Guerra". Parece-me oportuno recuperar uma passagem menos conhecida da obra chinesa, muito apropriada para o presidente do Sporting:
"Se algum dia estiveres atolado na tua própria trampa, e o inimigo estiver em superioridade em todas as frentes, e as tuas tropas estiverem mais desmobilizadas do que nunca, evita fazeres mais merda, apesar da tentação e da tua própria predisposição para o disparate. Vais ver que o fundo do poço é um conceito muito relativo. Podes sempre cair mais uns metros." – Sun Tzu

terça-feira, março 23, 2010

Ajudar a Lusa



Creio que ainda é possível alimentar mais dúvidas neste despacho noticioso. Sugestões:
"Talvez de Burgos,, alegadamente em Espanha, 22 março, embora sujeito a confirmação (Lusa) - A Guarda Civil Espanhola, ou uma organização com um nome semelhante, anunciou hoje que até é possível que tenha detido sete alegados jovens, presumivelmente portugueses, em Briviesca, por alegados roubos numa área de descanso possivelmente situada na autoestrada que eventualmente ligará Burgos a Arminón. Falou-se também em agressões, mas a Lusa não conseguiu encontrar ninguém que fosse capaz de fornecer o número de bilhete de identidade e de contribuinte dos agressores, pelo que é prematuro falar já nesses termos.
É possível que os jovens, com idades entre os 19 e os 27 anos, viajassem numa carrinha alugada. Houve quem dissesse que regressavam a Portugal oriundos de França, mas não há imagens de satélite que o possam confirmar. Presumivelmente, foram assistir ao Marselha-Benfica, da Liga Europa de futebol, mas a Lusa não sabe se esse jogo se realizou ou até se existem clubes com esses nomes.
A Lusa requisitou entretanto a planta do alegado estádio para poder confirmar que existe de facto um Velodrome de Marseille, mas desligaram-nos o telefone e ameaçaram fornecer o nosso nome ao casting do programa do Goucha.
A detenção do grupo de adeptos ocorreu às primeiras horas da manhã de sexta-feira, ou pelo menos foi isso que nos disse um senhor que passou por lá e é filho de um doutor, por isso não deve estar a mentir. A Guardia Civil espanhola recebeu uma chamada dando conta de um roubo cometido na área de serviço de Ameyugo. Os mesmos alegados sete jovens serão também responsáveis por assaltos no ano passado, a caminho de outro jogo do alegado Benfica, mas isso parece pouco provável porque, como toda a gente sabe, os adeptos do Benfica não roubam nem espancam.
A Lusa aproveita para esclarecer que é absolutamente falso, ou melhor, alegadamente falso e até presumivelmente incorrecto, que se possa falar em assaltos sem apresentar um contraditório que confunda a interpretação de qualquer pessoa com um mínimo de inteligência, bem como do Sílvio Cervan . Afinal, aquilo que, para uns, é um assalto pode ser descrito sem esforço como uma redistribuição do capital e dos meios de produção.

Concluo: parece que no Cretácico Inferior já houve jornalismo na Lusa, mas agora já não há. E é pena.

sexta-feira, março 12, 2010

Classe

Aqui.

Motivo de orgulho. 11 de Março de 2010.

quarta-feira, março 10, 2010

A este ritmo eu não consigo...

Eu vou tentar escrever isto sem me rir. O diabo de Gaia, lembram-se? O do pano da louça na cabeça? O que deu um calduço ao bandeirinha em 2008? Pois foi preso esta manhã.
Pensarão os senhores que foi consequência da invasão de campo e da agressão consumada a um agente desportivo em 2008, mas estarão errados: em Portugal, invasão de campo na Luz não dá cadeia. Dá só direito a ser entrevistado pelo “Expresso” e a ser filmado pela televisão nas bancadas dos estádios para as quais se está impedido de entrar.
A maior parte da população tem de fazer qualquer actividade extraordinária para ser capa do “Expresso”, como trabalhar 35 anos junto de uma população de chimpanzés, inventar uma cura para os joanetes ou aprovar a construção de um free pork. O diabo de Gaia só precisou de agarrar um bandeirinha pelo cachaço. São critérios.
Segundo o “Expresso” de hoje, uma mediática operação policial permitiu a "apreensão de 10 litros de aguardente, 20 litros de uísque e 155 litros de licor". É possível que fosse apenas a merenda do senhor para o resto do dia, mas o “Expresso” não conseguiu confirmar.
O homem a quem o “Diário de Notícias” chamou “pacato” em Dezembro passado, Fernando Seara chamou “tranquilo” e a esposa chama “o meu pequeno javardo” transportava uma arma de caça, um revólver, uma pistola e uma arma de alarme. Chamem-me esquisito, mas dá impressão que o Fernando Seara é o pior avaliador de carácteres da história. Pior, talvez, só a professora de liceu do Hitler, que lhe disse para se envolver mais nos projectos.
O motivo da detenção terá sido mesmo o transporte de 30 mil maços de tabaco de diversas marcas. Carlos Santos terá ainda argumentado que seriam para consumo individual, argumento que convenceu durante alguns minutos o GNR de serviço, mas a verdade é como um cadáver afogado numa lagoa de retenção – vem sempre à tona. E assim tudo se conjuga para que Carlos Santos venha também a integrar a equipa de futsal do Benfica em Caxias.
Julgo que se justifica uma palavra de apreço para o trabalho do homem que tiver de relatar os próximos jogos entre reclusos com passado ligado ao clube encarnado. Não será fácil. “A bola segue para o Violador de Telheiras. Hesita. Hesita. Solta para o Diabo de Gaia. Impetuoso, ele arranca para cima do defesa. Tem o Serial Killer de Santa Comba Dão solto à esquerda. Mas ele insiste, direito à jugular do adversário. Pela direita, sprinta Vale e Azevedo, mas era uma promessa falsa. Há dois sanguinários na área, prontos para receber o centro venenoso, e um burlão na meia-lua, pronto para o que der e vier. Mas o diabo de Gaia, depois de tanto prometer, faz uma festinha ao guarda-redes e pisga-se a correr...”

terça-feira, março 09, 2010

Podia ser meiguinho, mas não era a mesma coisa!

Imagino que já assistiram a documentários de exploradores intrépidos, daqueles que se aventuram pelo mais árido deserto e são forçados a comer o que está à mão. Invariavelmente, quando alguém nessas circunstâncias come carne de barata ou de rato, diz sempre que sabe a frango. É um padrão que se repete e que teima em não ser confirmado pela experiência. De certa maneira, é parecido com o dos vizinhos dos serial killers, que nunca vêem nada e lembram invariavelmente que o estripador que com eles conviveu parecia tão calmo, e não era nada dessas coisas, pronto, lá teria as suas manias, e de facto, agora que penso nisso, nunca mais vimos a Dina do minimercado aqui no bairro, mas o sotôr não parecia dado a javardices, não senhor, quem imaginaria uma coisa destas, logo ele, que até tinha óculos, isto, menina, sabe o que lhe digo, os casados são os piores…
Bem sei que vos prometi que punha a tranca na porta da chafarica, mas em situações de alarme público, é missão do cronista sério e imparcial tomar as rédeas da situação e apascentar a multidão. À falta de um cronista sério e imparcial, vejo-me na obrigação de ser eu a denunciar um padrão que os media vão calando.
Recordar-se-ão da discussão sobre o serial killer de Santa Comba Dão (aqui). Só este farol bravo e intrépido de moralidade que é o Mãos ao Ar foi capaz de lembrar então que o cavalheiro em causa, entre facadas e esventramentos performativos, lá arranjou tempo para assumir a presidência da Casa do Benfica de Santa Comba Dão. Disse a imprensa que o laço associativo seria um escape para a vida de perversão, mas é bem provável que fosse a pancada sexual o escape para os serões passados na Casa do Benfica. Livra! Sete noites por semana entre gente daquela levariam qualquer um a esventrar alguém só para espairecer.
Pois bem: começa a conhecer-se melhor o perfil do violador de Telheiras. É engenheiro do Técnico, soube-se no próprio dia da detenção. Coleccionava moedas. Trabalhava na assistência da Zon, o que explica seguramente o motivo pelo qual a minha Internet funciona aos repelões. Lá diz a minha avó: entretêm-se com porcarias e o trabalho fica por fazer.
Era o moderador de um fórum de numismática, indício mais do que suficiente para sugerir disfuncionalidades. E... ahum... era benfiquista, conta o jornal I.
Começa a ser necessário abordar esta questão das taras sexuais pelo ângulo clubístico. Eu não quero meter o bedelho na casa dos outros, mas alguém vai ter o fazer. Quero acreditar que há pelo menos um adepto nessa bancada que não precisa de dar uma marretada na cabeça das meninas para levar a sua avante, mas os senhores não me estão a facilitar a vida.
Não sugiro com isto que todos os benfiquistas venham, mais dia, menos dia, a merecer o confinamento forçado numa cela de 4x4. Não quero insultar a inteligência dos leitores. Para falar verdade, nem me lembrei de presumir que a tivessem. Mas terão um dia de perceber que isto do jogo do engate não se ganha como os senhores estão habituados a ganhar no estádio, ao pontapé e infringindo as regras.
Eu próprio também tenho problemas de erosão, mas ando a tomar Viagra para ver se passa.

Post Scriptum: comenta o Virgílio, na caixa de comentários aqui de baixo, que o caso revela os fracos critérios de contratação da Zon. Concordo. Que contratem estupradores ainda vá que não vá. Que assinem contrato com benfiquistas... enfim, já não me parece tão bem, mas aceita-se. Agora, quando contratam numismatas, estão mesmo a pedi-las. Isso é brincar com o fogo!